Lula participa da X CELAC para fortalecer a integração regional, na Colômbia

Lula participa da X CELAC para fortalecer a integração regional, na Colômbia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará a Bogotá, capital da Colômbia, para participar do I Fórum de Alto Nível CELAC-África e da X Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), no dia 21 de março. Desde 2023, Lula participou de todos os eventos de alto nível da CELAC. A presença do presidente permitirá reafirmar o interesse do Brasil na consolidação dos espaços de articulação entre os países da América Latina e do Caribe.
A X Cúpula ocorre em contexto de crescente fragmentação e de recrudescimento do unilateralismo. Neste cenário, o fortalecimento do diálogo entre a América Latina e Caribe e a África, duas regiões que representam praticamente metade dos membros da ONU e cerca de um quarto da população mundial, é fundamental para fortalecer a integração regional e promover um sistema internacional mais justo e inclusivo.
Durante briefing a jornalistas, a secretária de América Latina e Caribe, embaixadora Gisela Maria Figueiredo Padovan, destacou a participação do presidente na Cúpula. “A presença do presidente Lula na CELAC apenas confirma o compromisso do Brasil, inclusive constitucional, com a integração da América Latina e do Caribe. Basta recordar que o presidente Lula foi a absolutamente todas as reuniões da CELAC desde que assumiu a presidência.”
RETOMADA DO DIÁLOGO  – Já o I Fórum de Alto Nível CELAC-África será precedido por três dias de debates entre dezenas de especialistas das duas regiões.  Os 17 painéis promoverão discussões sobre os temas:  cooperação para o desenvolvimento, agricultura, energia, clima, saúde, segurança, reparações históricas, empreendedorismo, memória, juventude, comércio, economia, investimento público e privado e infraestrutura.
O secretário de África e do Oriente Médio do Itamaraty, embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte, explicou que a CELAC busca, com este primeiro Fórum de Alto Nível, retomar o diálogo com a África, que já existiu de forma mais estruturada no passado. “Houve uma iniciativa chamada América do Sul–África, a ASA, que existiu de 2006 a 2013. Ela teve três cúpulas, duas na África e uma na América do Sul, mas, depois, não foi mais possível articular esse diálogo. Agora, a Colômbia, que é um país que tem sido muito ativo na interlocução com a África, está organizando esse fórum”, disse.
PILARES — A X Cúpula da CELAC vai proporcionar oportunidade para uma reflexão sobre a conjuntura regional e internacional e os impactos sobre a América Latina e o Caribe. Único mecanismo de diálogo e concertação da região, a CELAC tem permitido aprofundar o intercâmbio sobre prioridades e desafios dos países da região. Ao final da Cúpula, a Colômbia transmitirá a presidência pro tempore da organização para o Uruguai.
A embaixadora Gisela Padovan afirmou que a expectativa para a reunião é, em primeiro lugar, a discussão dos principais desafios da região. “Desenvolvimento econômico, combate à fome e à pobreza, mudança do clima, combate ao crime organizado, que é um grande tema da região, segurança alimentar e nutricional. Todos esses temas serão discutidos pela CELAC. Também nesse momento, a presidência da Cúpula passa da Colômbia para o Uruguai, ocasião em que serão apresentadas as prioridades da gestão uruguaia.”
CONVERGÊNCIA REGIONAL — O evento ocorre em momento particularmente desafiador para a América Latina e o Caribe, caracterizado por intensificação da polarização regional e de pressões extrarregionais. Apesar desse contexto desafiador, a CELAC mantém agenda ativa em áreas de maior convergência regional, como saúde, gestão de desastres naturais e segurança alimentar. 
Além disso, na presidência da Colômbia, a CELAC tem aprofundado a agenda de relacionamento com outros países e regiões, com destaque para os encontros de alto nível realizados com União Europeia, China e África. Na véspera, 20 de março, ocorrerá a Reunião de Chanceleres da CELAC.
A secretária de América Latina e Caribe informou que também será feita uma avaliação de várias iniciativas concretas durante a Cúpula. Entre elas, o plano de segurança alimentar e nutricional da CELAC; o fundo de resposta a riscos e desastres naturais e climáticos (FACRID); e a proposta de criação de uma agência espacial para discutir temas do setor. 
“Há uma dimensão muito importante da CELAC, que é a do diálogo externo. É nesse contexto que se insere o diálogo com a África. A CELAC mantém um diálogo estruturado com a União Europeia, com a realização de uma cúpula a cada dois anos e, no intervalo, dezenas de atividades e programas”, ressaltou Padovan. 
I FÓRUM DE ALTO NÍVEL — O interesse de aproximação entre as duas regiões está ancorado em afinidades históricas, culturais e étnicas, mas reflete, igualmente, os interesses objetivos da África e da América Latina e Caribe em aproveitar as oportunidades de cooperação, comércio e investimentos entre economias altamente dinâmicas.
O embaixador Carlos Sérgio ressaltou que esse primeiro encontro ocorrerá em um contexto no qual não apenas os países da América do Sul e da América Latina demonstram maior interesse pelo continente africano, mas também em que a África se interessa muito pela região e pelo Brasil em particular, salientado pelos convites que o presidente Lula recebeu para fóruns estratégicos no continente nos últimos anos. Entre eles, a participação do presidente brasileiro na 37ª Cúpula da União Africana, em 2024; e a organização da I Conferência da Diáspora Africana nas Américas, em Salvador, no mesmo ano. 
A África e a América Latina e o Caribe mantêm vínculos históricos e culturais e apresentam forte complementaridade econômica. Juntos, os 55 países da União Africana e os 33 países da CELAC reúnem 2 bilhões de pessoas e suas economias estão entre as que mais crescem no mundo.
“Não só os países da nossa região têm desafios semelhantes e situações de desenvolvimento semelhantes, como podem contribuir e também aprender com uma interação maior com os países africanos. Não só nos temas de cooperação Sul-Sul para o desenvolvimento, reparação histórica, justiça e comércio, mas em diversas outras áreas. Essa é a percepção que uma iniciativa como essa traduz, porque a África, com o seu tamanho, as suas potencialidades, a sua população, esse comércio em ascensão, oferece oportunidades muito promissoras”, salientou o secretário de África e do Oriente Médio.